Eleições, Redes Sociais e Analytics: o que esperar em 2018?

por Flávio Bolieiro, VP MicroStrategy Latin America

Eleições, Redes Sociais e Analytics: o que esperar em 2018?

 

Hoje em dia, em qualquer campanha política no mundo existe uma equipe de análise de redes sociais dedicada, esperando pela oportunidade certa para chamar a atenção do eleitor no espaço online. Nas últimas eleições na Alemanha, por exemplo, o partido de extrema direita AFD criou mais de 60 posts em uma semana e alcançou uma taxa de engajamento de quase 10.000 interações por postagem. Na França, a página de Emmanuel Macron no Facebook foi ainda mais ativa, com quase 10 postagens por dia na semana que antecedeu as eleições.

Assim, durante períodos de campanha, a análise de dados e as mensagens postadas pelos candidatos pode nos dar uma pista de quais temas estão no centro do debate suscitando discussões e engajando a base de eleitores reforçando a estratégia de marketing eleitoral. No caso da Alemanha, Revisando os posts mais engajados dos cinco partidos mais ativos, os assuntos nacionalistas foram o que obtiveram maior destaque (em especial a crise de imigração e a corrupção). O cenário na França foi similar, onde o partido de Marine Le Pen obteve mais ibope nas redes sociais.

Estes casos ilustram bem meu ponto. Mas, sem dúvida, o maior exemplo deste fenômeno foram as eleições norte-americanas, nas quais as mídias sociais foram usadas de forma estratégica pelo então candidato Donald Trump – que até hoje utiliza o Twitter para se comunicar com seus mais de 52 milhões de seguidores. Trump chegou a comentar que o Twitter foi um dos instrumentos que o ajudaram a chegar à vitória (apesar de haver controvérsias).

Sabemos que o uso destas ferramentas nem sempre é adequado e que, às vezes, há muita polêmica envolvendo a disseminação de notícias falsas por agentes ou equipes especializadas, com a intenção (boa ou má) de engajar seguidores e espalhar informações pró ou contra certo candidato. O fato é que, na atualidade, não vejo campanhas eleitorais sendo feitas sem o uso massivo das mídias sociais – com ou sem “Fake News”.

Como os pré-candidatos a eleição 2018 estão usando as redes sociais no Brasil

 

E no Brasil? O que está sendo feito em 2018, ano de eleições presidenciais? Tive a curiosidade de criar um Dashboard MicroStrategy, acessando os dados do Twitter de alguns pré-candidatos à Presidência. Meu objetivo foi compreender o que está liderando a pauta neste momento, para analisar quais temas têm potencial para liderar o debate político quando a campanha efetivamente começar. Encontrei alguns dados interessantes, vamos a eles.

Inicialmente, identifiquei que o pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) é o que tem neste momento o maior número de seguidores: quase 40 milhões de pessoas, ou 44% entre todos os perfis analisados. Ou seja, seu potencial para alcançar um grupo maior de eleitores com mensagens nas mídias sociais é o mais alto. Em segundo, surge Marina Silva (Rede Sustentabilidade), com 34 milhões de usuários (39%), número também bastante expressivo e que demonstra que a candidata também está bem posicionada em termos de alcance.

Todavia, em termos de atividade, o candidato com maior atividade é “novato” João Amoêdo (Partido Novo). Apesar de contar com apenas 3 milhões de seguidores (3,5% do total), ele tem obtido boa relevância, com uma considerável quantidade de tweets e retweets, o que revela que sua base de seguidores está engajada em disseminar suas mensagens e contribuir para que suas propostas sejam conhecidas por um público mais amplo. Será que este engajamento será revertido no aumento de sua base de seguidores (e eleitores) nos próximos meses? Ou será que é apenas um sinal de que quem o segue, apesar de serem um grupo diminuto, é formado majoritariamente por ativistas digitais? Vamos acompanhar para tirar conclusões no futuro.

Aprofundando a análise, no gráfico abaixo notamos que nos dias 28 e 29 de maio, o pré-candidato Jair Bolsonaro obteve um número de retweets acima da média (círculos verdes), o que indica posts de destaque. Ao analisar no detalhe, verificamos que os assuntos dominantes nestas datas foram “gastos indevidos do Governo” ou o “pagamento da conta por parte do cidadão”. Os mesmos tópicos se observam nos dias 28 de maio e 06 de junho para o pré-candidato João Amoêdo (círculos laranjas).

Aí está a pista que comentei no início deste artigo, sobre quais assuntos podem ser centrais no debate durante a campanha eleitoral 2018 e que poderão ser abordados no marketing político dos candidatos. Me parece que os eleitores querem saber quais serão as soluções para a melhor utilização do dinheiro público. Os cidadãos estão cansados de pagar a conta de rombos deixados pelos políticos, seja por má gestão, seja por corrupção.

Dashboard Microstrategy: Análise de dados de redes sociais candidatos à presidência do Brasil
Dashboard Microstrategy: Análise de dados candidatos à presidência do Brasil

Por fim, levando em consideração a recente greve dos caminhoneiros, filtrei em minha pesquisa apenas os tweets com relação ao termo “caminhoneiros”. O maior número de retweets foram das mensagens de apoio ao movimento, feitas por Jair Bolsonaro (ver linhas três e cinco do gráfico). Novamente, a impressão que se tem é que a população apoia quaisquer manifestações que tenham como mensagem central a luta por um Brasil onde o cidadão tem o suporte do governo para que não seja onerado em mais cobranças, mais impostos e mais gastos.

Dashboard Microstrategy com filtro por termo “caminhoneiros” em tweets realizados por candidato Jair Bolsonaro
Dashboard Microstrategy com filtro por termo “caminhoneiros”

Obviamente, o uso das mídias sociais deve se intensificar nos próximos dois ou três meses, quando passarmos pela Copa do Mundo e as atenções se voltarem para as eleições, com os candidatos já definidos. Estou curioso para executar de novo o meu Dashboard neste momento e ver o novo cenário se desenhando.

Assista à análise completa no vídeo que publiquei em meu perfil.

*Artigo postado originalmente no LinkedIn de Flávio Bolieiro Vice-presidente da MicroStrategy Latin America, que atua  há 30 anos com TI e aplicações corporativas. Nos últimos 17 anos, tem trabalhado ativamente com soluções de Business Intelligence, desde desenvolvimento de parcerias estratégicas até implementação de projetos para clientes-chave nos setores público e privado. Seu conhecimento sobre inteligência de negócios é profundo, motivo pelo qual é frequentemente convidado a falar sobre o assunto na imprensa e em eventos de mercado.  

 

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