2018: O Que Esperar da Transformação Digital

O Que Esperar da Transformação Digital

Empresas do mundo inteiro estão pressionadas para conduzir sua transformação digital, uma jornada inevitável e irreversível. Há inúmeros desafios a serem superados, neste e nos próximos anos, em meio às aceleradas mudanças tecnológicas e a avalanche de dados provenientes de inúmeras fontes. O fenômeno não é novo.

Cynthia Bianco, presidente da MicroStrategy, afirma que a grande mudança tecnológica que veio para ficar e transformou a forma como lidamos com a tecnologia foi o surgimento do smartphone, com o lançamento do iPhone, em 2007. A partir daí, o smartphone consolidou-se como o aparelho pessoal mais poderoso do mundo e quebrou paradigmas.

Os executivos passaram a demandar por dados, na palma das mãos, a todo o momento, independente do local onde estiverem. Eles querem visualizar o status da empresa, querem poder questionar porque as vendas não estavam como previstas, ou mesmo aprovar processos enquanto estão fora ou viajando. Foi então que surgiu a tendência de transformar o smartphone e o tablet em ferramentas capazes de apoiar na tomada de decisão, mesmo estando longe.

Os funcionários passaram a questionar também porque não podiam gerar seus próprios relatórios, sem ter que ficar na fila interminável da TI para receber dados já obsoletos. Ganhar autonomia perante a TI viabiliza a busca rápida de informações a respeito dos melhores clientes, pontos fora da curva, maus vendedores, produtos de maior giro, melhores itens para entrarem em promoção, entre outras informações que agilizam a operação do dia a dia, e permitem encontrar soluções diferentes para problemas antigos.

A primeira onda da Transformação Digital: Business Intelligence (BI)

Analytics e mobilidade andam lado a lado na transformação digital
Analytics e mobilidade andam lado a lado na transformação digital

“Ao trazer a mobilidade e o usuário para mais perto da tecnologia, o smartphone quebrou muitos paradigmas. A primeira onda, do lado da mobilidade, veio com aplicativos para os executivos e depois para os colaboradores, fornecedores e clientes. Em seguida, surgiu o conceito de self service Business Intelligence (BI), em que o próprio usuário acessa a solução, seleciona os dados, combina com tabelas, faz suas análises e encontra as informações que estava buscando”, observa Cynthia.

Até então, as soluções tradicionais de BI olhavam para os registros passados e tentavam projetar o futuro, por meio de forecast, para melhorar a tomada de decisão naquele mês. Cynthia diz que a segunda onda de mudança veio com o Big Data, que juntamente com as redes sociais passou a incluir dados não estruturados. Surgiram aí bancos de dados e plataformas para computação distribuída, como Hadoop e Cloudera, voltadas para clusters e processamento de grandes massas de dados.

O Que Esperar da Transformação Digital
Cynthia Bianco, Presidente da MicroStrategy Brasil

“A ideia é examinar tanto os dados de fontes externas, como os da empresa. O Big Data traz como vantagem, nesse mundo em que todo mundo tem smartphone e conhece tecnologia, a possibilidade de oferecer um produto ou um serviço que faz com que o cliente sinta que é especial. Ou até mesmo entender como aumentar o ticket médio de venda deste cliente para a companhia”, analisa Cynthia.

Esta união dos dados estruturados e não estruturados trouxe avanços tanto para o Big Data, como para o analytics.

Ela observa que essa é uma das demandas da geração millennial, também conhecida como geração Y, ou geração da internet, dos nascidos após 1980. Eles cresceram experimentando os grandes avanços tecnológicos, prosperidade econômica e facilidade material em ambiente altamente urbanizado, após a instauração do domínio da virtualidade como sistema de interação social e midiática. “O millennial precisa sentir que os produtos foram feitos para ele e não de forma massificada”, resume Cynthia.

“Muitas empresas fazem altos investimentos para tentar encontrar a informação que precisam, mas muitas vezes, não se sabe até que ponto isso traz retorno. É o caso, por exemplo, da nuvem que nem sempre reduz custos. Ela surgiu na verdade para disponibilizar os dados de maneira mais rápida e facilitar o provisionamento”, enfatiza Cynthia.

A segunda onda: o surgimento do Analytics

O BI tradicional, que só via o passado, não faz mais tanto sentido em um mundo que muda a todo momento. É preciso uma solução analítica, quase real time, que analise o passado, as informações atuais e faça uma projeção apresentando possíveis cenários para ajudar na decisão, identificando, por exemplo, que há um produto vencendo e que precisa entrar em promoção. Cynthia explica que o analytics traz inteligência para o negócio em real time. E, ao democratizar a informação e permitir que qualquer um analise os dados, também cria a possibilidade de criar campanhas direcionadas por usuário, identificando aqueles que não estão mais comprando, efetuando uma ação e gerar resultados imediatos.

Desafios da transformação digital

Cynthia afirma que o desafio atual das empresas de empreenderem a jornada de transformação digital tem duas vertentes. A primeira é conseguir extrair mais informações sobre o cliente e entender como ele pensa, como são seus gostos, como compra, como é motivado e o que lhe interessa. Ou identificar aqueles mais rentáveis, por meio do modelo do Princípio de Pareto, em que 80% das receitas vêm dos 20% de clientes mais ativos. E, por outro lado, como se comunicar com esse cliente, de um modo a atrair e fidelizar, sem que ele se irrite com a empresa, o que hoje é cada vez mais difícil.

“Nesse mundo há tanta informação, que há uma linha muito tênue entre oferecer uma informação útil ou irritar o cliente. O segredo é conhecer bem os que dão maior retorno e se comunicar com ele de forma agradável, interessante e personalizada. O analytics traz a informação a respeito do que o cliente está fazendo, como a empresa se comunica com ele e, principalmente, se está perdendo ou ganhando com ele. E, se estiver perdendo, o que fazer para recuperá-lo. A vantagem do digital é chegar até o cliente, oferecendo o que ele realmente quer”, resume Cynthia.

Ela cita o exemplo das startups digitais de jovens empreendedores que criam empresas capazes de oferecer diferentes produtos e ir descobrindo quais são indicados para que grupo de pessoas. E vai deixando as pessoas que não têm interesse naquele momento, como futuros clientes para coisas mais específicas.

O grande paradigma, e também o principal desafio em meio a tanta informação, está no fato de como acessar a informação que precisa de forma rápida. As empresas têm um volume gigantesco de dados e dashboards. Mas, na hora H, em que precisa ter na mão uma informação específica, é difícil obtê-la. As novas tecnologias surgem para pessoas que não querem perder tempo tentando criar relatórios e fazer análises que alguém já fez.

“É como se houvesse um big Google em seu servidor e você, ao desejar saber sobre suas vendas ou desempenho, fizesse uma busca e encontrasse tudo o que já foi feito e analisado. O analytics vai além da democratização, ele traz recursos que permitem que tudo o que já foi criado seja reaproveitado e disponibilizado para que qualquer pessoa”, diz Cynthia.

O uso da governança na gestão de dados

Ela alerta, porém, que ao mesmo tempo em que tudo isso gera benefícios também cria um problema. A governança é um desafio para as empresas. Com tanta fonte de informação, quem garante que aquele dado é verdadeiro? Sem falar que para cada departamento uma informação pode ter um significado diferente: para o comercial, a venda é o que foi vendido para o cliente; para finanças é o que ele já pagou; para o departamento de logística, é o que deve ser entregue.

“O conceito de governança e de ter uma visão única dos dados é fundamental. E é exatamente o que estamos perdendo. Como agora, todo mundo pode criar suas visões, os dados originais acabam sendo alterados, seja por pontos de vista discrepantes ou por filtragens, que muitas vezes caem no esquecimento. Fora isso, outro erro comum, é achar que pelo fato da origem ser a mesma, todos os dados que de lá vieram, foram validados e são totalmente confiáveis. Esse é o maior perigo, pois o executivo pode pegar um dashboard , com dados não validados, como verdade e tomar uma decisão errada. É preciso educar as pessoas para ter dados governados”, recomenda Cynthia.

Saber de onde vieram os dados e ter certeza de que há alguém que se possa responsabilizar por eles é importante. Esse é o diferencial da MicroStrategy, que traz uma funcionalidade de validação da veracidade dos dados. Esse selo de certificação e que atesta a origem e funciona como um carimbo de validação faz toda a diferença. Cynthia reforça que a governança não existe para travar processos. Bem utilizado, o analytics pode ser fundamental na jornada de transformação digital das empresas, mapeando os caminhos e trazendo mais insights, permitindo que as empresas sejam competitivas num mundo que muda de hora em hora.


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